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domingo, 27 de novembro de 2011

Regime

Estou de regime há dois meses, estou fazendo caminhada, exercícios físicos...
Mas é muito difícil!!!
No alto dos meus 34 anos, meus hormônios lutam contra mim. A balança é minha inimiga...
Além de tudo, sobram-me poucos dias por mês em que realmente meu corpo atua de forma justa em relação aos meus desejos, por que durante a TPM aumenta a retenção de água e sal em nosso corpo o que resulta em catorze dias de cada mês em que meu corpo estará mais pesado, meu humor estará alterado, estarei deprimida e para compensar a tristeza meu cérebro vai sentir necessidade de açúcar e de carboidratos, logo isso aumentara meu ganho de peso, com o peso elevado meu metabolismo diminui e em consequência eu perderei peso de forma mais lenta!
Sentiu como meu próprio corpo luta contra mim, pois para ganhar peso é fácil, no entanto, para perder, o metabolismo fica lento, vem o fato de eu ser uma pessoa sedentária... Raios!!! Tudo vai contra o meu regime!
Mais o pior não é isso, as gatinhas estão por aí, lindas, magras, novinhas... E os homens babando por elas!!!!
NO ENTANTO...
Eu sou uma mulher experiente, inteligente, tenho um ótimo papo, bom humor( quando a TPM permite), conheço as melhores piadas de sogra, sei como anda o mercado interno e externo, entendo de metereologia, agricultura, ciências, conheço as regras de futebol, chingo o juiz... Bem, alguma coisa tinha que compensar!
Pode até ser que o regime não tenha o efeito esperado, mas sou brasileira e não desisto nunca.



Eu aos 21 anos de idade.   Eu aos 34 anos de idade e 3 filhas depois.

                                  


DEPOIS DE DOIS MESES DE REGIME: 1,758 KG A MENOS.

sábado, 26 de novembro de 2011

LEMBRA?


Lembra quando a gente era jovem?
E queríamos que o tempo parasse...
E o amor era tudo que queríamos para sempre...


Lembra quando pão com suco era tudo que precisávamos para ser feliz?
E caminhado a pé
Prometemos o nosso coração? 
Foi difícil...
Nós vivemos e aprendemos... 
A vida lançou curvas!
Havia alegria, havia ferida...


E a vida foi mudando,
Nós mudamos junto,
A vida desmoronou
E quebrou uns dos corações...
                 ...
Lembra quando o som de pezinhos foi a música?
Nós à dançamos, semana a semana...
E isso trouxe de volta o amor, encontramos a confiança.
E você jurou que nunca iria desistir da nossa vida...


Lembra de quando trinta parecia tão velho?
E agora é apenas um caminho onde estamos,


...Você faria tudo novamente?...


Lembra que você dizia: 
Quando as crianças crescerem nós não estaremos tristes,
nós estaremos contentes!!!
Contentes por toda a vida que tivemos...


Eu ainda lembro quando: um dia fomos nós...


Mas, quando nós viramos cinza?
                  ...
                 ???

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A história do meu casamento - do início ao fim



O amor não é egoísta
por: Jane Matos Pereira




Minha vida resumia-se em: correria.


Trabalhava o dia inteiro, faculdade, casa e minha filha Letícia, com seis meses de vida, para cuidar... Não tinha tempo nem para respirar direito e para completar, apareceu em minha vida, PARA AUMENTAR a correria, um rapaz, cinco ano mais novo.


No começo eu não dei muita IMPORTÂNCIA à ele, pois eu vinha de uma relação frustrada com o pai da Letícia e a última coisa que eu queria para minha vida era um novo amor.


Mas ele insistiu, mandava recados todos os dias, incansavelmente, até que me venceu pelo cansaço e começamos a namorar.


Não demorou muito para juntarmos as escovas de dentes.


E  de insignificante mortal, passou a ser meu amor. Amor intenso, fogoso, cheio de alegria...


Depois que terminei a faculdade de letras nos mudamos para a capital do nosso estado e a partir daí nossa vida mudou. Ele começou a ficar muito tempo fora de casa e isso resultou em brigas, que passaram a fazer parte do nosso relacionamento.
Brigas, ciúmes, incertezas, desconfianças...
Mas mesmo com tantos motivos para deixar tudo para trás, nós insistimos em nossa relação que deu frutos, lindos frutos: tivemos duas filhas lindas, Flávia e Flaviane.


Porém, nossa família aumentada não foi suficiente para diminuir as brigas, que tornavam-se cada vez mais constantes em nossa relação.
Percebi que ele sentia necessidade de algo que eu não podia oferecer naquele momento em que ele queria curtir sua vida com festas e amigos, e eu precisava cuidar da casa, das crianças e do trabalho, ainda em começo de carreira.


Passamos a ser dois estranhos vivendo numa mesma casa.


Um dia, cansada das brigas e discussões eu chamei uma empresa de mudanças e resolvi voltar para a cidade onde nasci, onde residiam meus pais e ao lado deles recomeçar a vida. 
Decidida como sempre fui, resolvi todas as pendências e quando ele chegou do trabalho os rapazes da empresa já estavam arrumando as coisas. Ele ficou surpreso, afinal de contas eu sempre cedia e tentava não me alterar diante de todas as barbaridades e calunias que ele me dizia. 
Ele ficou furioso, tentou discutir a relação, pediu pra desconsiderar, blá, blá, blá e blá...


Então parti com as crianças, deixando naquela casa o único homem que eu realmente amei.
Só que, as vezes, o amor não é suficiente para segurar uma relação. Precisa-se de mais que apenas amor e  desejo, precisávamos de respeito e não tínhamos mais isso entre nós.


Viver com uma pessoa é muito difícil, temos que ceder o tempo todo e na maioria das vezes não agíamos do modo certo para aquela situação e é isso que desgasta os relacionamentos.
Não foi por falta de amor que eu resolvi deixá-lo, foi por que percebi que nosso casamento não estava fazendo bem para nenhum de nós e que despertávamos o que havia de pior na personalidade um do outro.


Hoje ele tem outra família. E eu continuo apenas com minhas filhas. E vivo muito feliz dessa forma. 
Não quero outro homem vivendo dentro de minha casa. 
A convivência não é algo fácil para mim.


Eu e o Flávio nos damos muito bem separados. Ele agora participa muito mais da nossa vida, conversamos mais e sabemos mais um do outro do que quando éramos um casal.
Vai entender o amor...

Somos uma família, mesmo o Flávio e eu não sendo mais MARIDO E MULHER, somos uma família e seremos sempre uma família: pai e mãe de duas meninas lindas e como ele próprio diz:  pai de coração da Letícia.

Existem pessoas que simplismente não foram feitas uma para a outra, e esse é o nosso caso. Porém funcionamos bem como amigos e seremos amigos para sempre, afinal, temos filhas que dependem mutuamente de nós dois e a afinidade é fundamental!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Matos e Campos

COMEÇO
Tentarei transcrever nessas linhas saudosas, os melhores anos de minha vida em um lugar onde fiz muitos amigos. Amei, fui amada. Experimentei sensações, sentimentos e vivi intensamente cada dia na mais bela cidade que já conheci.
E são muitos sentimentos que hoje se misturam em minha mente. A saudade inunda meus olhos, sufoca meu peito e um sentimento que há anos estava adormecido ressurge em mim após recordar histórias e sentimentos que há muito estavam adormecidos. E como um vulcão que começa a entrar em erupção para jorrar toda a lava imóvel. E essa lava sonolenta transforma-se nesse livro, onde espero expressar todo sentimento e importância que há em cada momento vivido em quatro anos na escola ao lado de amigos e companheiros de jornada.

AQUIDAUANA

Aquidauana situa-se há 120 km da capital do estado, Campo Grande e há cerca de 320 km de Ponta Porã.
Conhecida como Portal do Pantanal, ostenta beleza e natureza. Envolta pelas águas do Rio Aquidauana que a separa da cidade vizinha, Anastácio.
As duas cidades são abraçadas por serras e morros cheios de animais, pássaros e árvores de um verde que só as árvores em Aquidauana têm.

SELETIVO

Para estudar no Cera foi necessário fazer um exame de seleção e disputar com mais de 500 adolescentes por 80 vagas que formariam duas turmas de técnico em Agropecuária.
Houveram três etapas seletivas: prova teórica, prática e psicológica.
Fui de ônibus para Aquidauana com uma amiga da escola que também iria realizar o exame.
Na realidade não éramos amigas, apenas estudávamos na mesma sala de aula em Ponta Porã. Mais durante a viagem passamos a ser amigas de infância, afinal quando somos jovens fazemos amizade rápido e logo já nos considerados melhores amigos. 
...Hoje percebo como isso se perde com o passar do tempo...
Voltando à história:
Na rodoviária de Campo Grande conhecemos outras pessoas que também fariam o seletivo e o nosso entrosamento, obviamente, foi imediato.
Conheci o Gazozo, hilário, uma figura indescritível. Ele fingia ser um Colombiano, deficiente físico e tagarela que estava acompanhando outro rapaz, Marcelo, que fingia entender aquele idioma estranho que ele dizia ser próprio da Colômbia. Riamos muito deles. E conheço que por varias vezes eu acreditei que ele fosse realmente deficiente. A imitação era de uma veracidade surpreendente.
Chegamos a Aquidauana quase de noitinha. Descemos na Praça dos Estudantes, fiquei estupefata com  a beleza da pequena cidade.
Tratamos logo de encontrar um hotel e por sorte encontramos vagas para todos no mesmo hotel. Rusi e eu ficamos num quarto com outra menina e os meninos no quarto em frente.
Fizemos um lanche num carrinho de cachorro-quente ali da praça e voltamos para o quarto.
Não demorou muito para os meninos baterem em nossa porta. Ficamos batendo papo, contando piadas e rindo muito.
Foram dois dias de provas e muita bagunça, porém terminou e voltamos todos no mesmo ônibus e cantamos durante todo o percurso que foi tão curto.

O RESULTADO

Depois de trinta dias de espera, chegou o dia de saber o resultado do exame seletivo.
Às oito horas da manhã entrei no escritório de meu pai e liguei para a escola perguntei primeiro se a Rusi havia sido aprovada, e a telefonista após um momento de silêncio, respondeu-me:
− Sim foi aprovada. Mais alguma coisa?
Hesitei por alguns instantes e perguntei por mim. Estava muito nervosa e temerosa, a moça pareceu demorar uma eternidade para me responder. A moça perguntou meu nome umas duas vezes. Por certo eu dei até o nome errado. E então a telefonista me disse;
− Você deverá comparecer com seus pais ou responsáveis no dia 21 de fevereiro para fazer sua matrícula.
−Então eu fui aprovada, moça?
− Sim aprovadíssima!
Foi uma das melhores notícias que já tinha recebi até em minha vida. Fiquei muito contente, saí do escritório aos berros e dando pulos de alegria. E a partir daquele dia, passei a dormir sorrindo, até o dia de começar as aulas em minha nova escola.

PREPARAÇÃO

Passei uns quinze dias me preparando para me mudar: nova escola, nova casa, nova vida!
Na manhã da viagem acordamos muito cedo, coloquei minhas malas no carro, cobertor, travesseiro, um toca-fitas e algumas fitas K7 (entre elas João Paulo e Daniel, que passou a ser tema da novela CERA em minha vida) e algumas guloseimas.
Partimos ainda escuro, boquinha da manhã e vimos o sol raiar já em autoestrada.
Chegamos em Aquidauana antes das sete horas da manhã e seguimos diretamente para a escola.
Na escola fizemos um tour com os pais e coordenadores pelas dependências da escola, ficamos sabendo um pouco sobre o funcionamento e horários da escola. Depois de uma reunião de pais e todas as burocracias escolares meus pais e os demais pais voltaram para casa. E foi como se o laço umbilical realmente estava sendo cortado, um dor, uma tristeza, um medo... Um mundo novo, cheio de descobertas à minha frente para ser desbravado solitariamente por mim.

TROTE

No primeiro dia de aula, houve um ritual de iniciação, fomos reunidos com os veteranos na quadra de esportes onde a coordenadora da escola, a dona Arminda, explicou aos recém-chegados como funcionava o trote, que era uma brincadeira de boas vindas entre veteranos e novatos. 
Cada novato receberia um apelido pelo qual passaria a ser chamado pelos outros colegas. Os meninos raspariam a cabeça como prêmio por fazer parte da família CERA.
Depois que a coordenadora voltou para sua sala, começou a festa.
Os avôs e avós, como eram chamados os veteranos, escolhiam suas prezas e davam aos pobres recém-chegados um carinhoso pseudônimo, um apelidinho meigo e amável. Tinham alguns apelidos bem bonitinhos mesmo, mas em contrapartida, outros davam até vergonha de pronunciar.
E ninguém seria reconhecido senão pelo apelido. Tem colegas que até hoje não são conhecidos pelo verdadeiro nome, só pelo apelido.
O meu apelido qual era?... Melhor nem comentar! Brincadeirinha, eu até que recebi um apelido bem original, como sempre fui gordinha me apelidaram de Gelmax, o nome de um remédio pra azia e que trazia como garoto propaganda um dragão muito charmosinho. E acredito que pela nossa semelhança física presenteada com esse singelo apelido.
Mais tinham muitos apelidos interessantes: Tinha o Atrasado que era irmão do Adiantado. O Estrovenga, Coalhada, Tithiolina, Biscatinha, Saracura, Gercynha, Pucheiro, Paraguai, a Azeithona, o Formigão, o Gago, Debiloyde, Kanabys e muitos outros.
Os professores, o diretor, as coordenadoras e os funcionários, não podiam ficar de fora, também tinham seus apelidos. O nome do diretor eu não lembro, mais o apelido dele era carinhosamente “Cabeça-de-onça”. Tinha o Vaca, o Miquimba, o Véio, a Papa-leguas e vários outros apelidos carinhosos.
E não pense que as meninas tinham regalias. Nós tínhamos que ficar abanando, assoprando ou servindo tereré para os veteranos enquanto cortavam um chumaço de cabelo ou colocava no pobre bagaço uma placa com o apelido e o nome do padrinho. Todos os novatos deveriam usar a placa, feita de papel A4, por trinta dias e deveriam cuidar dela como se fosse sua própria vida.
E não pense que as meninas tinham regalias. Nós tínhamos que ficar abanando, assoprando ou servindo tereré para os veteranos.
Os trotes eram variados, desde o corte de cabelo até umas repetições de frases idiotas que repetíamos aos veteranos.
Tinha menino que era forçado a se declarar pras árvores, outros que serviam de máquina de escrever para um veterano que fingia datilografar nas costas do novato que ia se inclinado até onde conseguia e fazia um som que era a deixa pra levar um tapa na orelha e voltar pra posição inicial.
Mais era muito divertido. Nada muito agressivo como os trotes que a gente vê pela televisão.
Naquelas brincadeiras sempre havia muito respeito e o cuidado para que a nada passasse dos limites entre o legal e a agressão.


ADAPTAÇÃO

No início precisei aprender a lidar com a minha liberdade, pois estava sozinha numa cidade onde todos eram desconhecidos e isso me trazia muita insegurança e medo. um choque de realidade.
Mas, pouco a pouco fui fazendo amizade e me entrosando aos costumes.
Rusi e eu sempre estávamos juntas pelos corredores da escola e na cidade, mas pouco a pouco fomos fazendo amigos e ampliando nossos vínculos afetivos.
Fiz amizade com a Sinara, ela tinha a mesma idade que eu, era alegre, comunicativa, extrovertida e uma personalidade bastante incomum, forte. Ela não tinha tantos medos quanto eu, por que já era o segundo ano dela ali.
Ela fazia o curso de meio ambiente e eu de técnico em agropecuária.
Ficamos amigas de infância com a rapidez que qualquer jovem faz amigos. Saíamos juntas, trocávamos confidências, falávamos bobagens e coisas sérias às vezes.
Tínhamos um grupinho e sempre estávamos juntas. Éramos feito irmãs. Seis amigas inseparáveis na escola e na cidade. O sexteto fantástico era como nos referíamos a nosso grupo, e fazia parte dessa confraria, Sinara, a Rose, a Luciane, a Layne, a Magali e eu.
Eu morava com a Rusi no hotel na Rua Augusto Mascarenhas e a Sinara e a Layne na casa de uma senhora que alugava um quarto para elas naquela mesma rua. A Luciane e a Magali moravam com a família da Lu em Anastácio.

A ESCOLA

Belíssima fazenda há 12 quilômetros de Aquidauana, a beira da Serra de Maracaju. Ostentava 806 quilômetros de terras muito bem cuidadas. Campos, pastos e animais bem tratados. As instalações brancas contrastavam com os tijolos à vista, tornando-a uma construção imponente e bela.
Longo corredor de pisos vermelhos ligava um pavilhão a outro e à universidade de agronomia. 
Passávamos todo o dia na escola, alternando entre aulas teóricas e práticas.
Os meninos tinham ainda a opção do regime de internato ou semi-internato, mas para as meninas só semi-internato.
E por esse motivo eu e as meninas morávamos na cidade. Íamos para a escola no “verdão”, como chamávamos o ônibus que nos levava para a escola.
Lá aprendíamos muitas coisas interessantes: como a lida e o manejo de animais de pequeno e grande porte, a agricultura e suas várias diretrizes e ainda as matérias básicas do ensino médio.
Eu particularmente preferia os porcos, porém a preferência da maioria era pelos bovinos.
Cumpríamos escala de serviço, ou seja, a turma era divida em pequenos grupos selecionados através de ordem alfabética, para que todos os grupos passassem por todos os setores da escola.  Que era: piscicultura, suinocultura, bovinocultura, avicultura, olericultura, viveiro de mudas, limpeza, cozinha, indústrias rurais e mecanização agrícola.

AULA PRÁTICA

A aulas eram divididas entre as aulas da ementa curricular normal, aulas técnicas  teóricas e práticas.
Nas aulas praticas eram formados grupos que obedeciam a ordem de chamada 
Meu grupo para as aulas práticas durante os quatro anos do curso foram: eu, o Jaime, o Hernane e o Atrasado (que recebeu de seus pais o nome de Jhonny).
Nosso grupo de prática era muito bem entrosado e animado. Nós rodávamos por todos os setores da escola sempre com muita disposição e bom humor. 
Os meninos muitas vezes aliviavam o serviço para mim por eu ser mulher, mais na maioria das vezes eu preferia trabalhar igual aos meninos. Eles tinham a mania de falar que escola técnica não era coisa de mulher e ai eu queria trabalhar como eles pra mostrar que isso não era verdade. Pois as mulheres ocupam cada vez um espaço maior no mercado de trabalho e provam que são capazes de realizarem todas as atividades com perfeição e muito profissionalismo.

A COBRA

Nós estávamos escalados na topografia e fomos medir uma área na beira de um córrego porque a escola queria aumentar uns tanques de peixes e aquele terreno era apropriado para se aproveitar água do córrego usando a força da gravidade para encher os tanques.
Passamos lá uma manhã inteira, medindo, fazendo cálculos, anotando dados.
Eu, pra ser sincera, não entendia nada daquela parafernália e muito menos dos cálculos, então só segurava a régua, carregava água e os materiais para os meninos fazerem o resto. Era a ajudante.
Depois de uma manhã inteira e muito cálculo, mais um monte de “sei lá o quê” que os meninos faziam com aquele aparelho, voltamos para a escola.
Era uma segunda-feira e esse dia da semana era o mais critico. Por que cada menino quer contar mais histórias que o outro e geralmente são sobre suas peripécias do domingo à noite. As meninas da cidade davam o maior mole para os meninos do Cera e isso os fazia acreditar verdadeiramente em seus poderes de sedução.
E eles vinham numa conversa acirrada sobre seus feitos. Com o saco cheio deles comecei a andar mais rápido, pois a fome apertava. Fui me distanciando deles. Trazia nas costas o aparelho de topografia e os meninos traziam as demais ferramentas. Eu estava com fome e por isso andava rápido e com a cabeça baixa, prestando atenção na grama verde, De repente parei mecanicamente, parecia travada, possuída pelo medo, sem conseguir nenhuma reação, minhas pernas pareciam não obedecer a ordens automáticas do meu cérebro.
O Hernane, astucioso percebeu quando parei de súbito e apresou-se em minha direção, trazia nas mãos uma estrovenga e de súbito decepou ao meio, a cobra que já vinha em minha direção. Perto dali o ninho das cobrinhas, e a cobra mãe foi decepada ao tentar defender seus filhotinhos. Por certo ela acreditava que eu fosse atacá-los e veio, corajosamente, defender os filhotinhos e se não fosse meu parceiro velho de guerra há essa hora eu não estaria aqui pra escrever essa história.
Os meninos praticamente arrastaram- me até a escola, pois fiquei em estado de choque. Sentaram-me na escada do corredor e trouxeram-me um copo com água. Fiquei um pouco ali sentada, sem reação, mas logo foi voltando a circular meu sangue pelas veias e consegui andar até o alojamento para tomar um bom banho e refazer do susto.


NA CIDADE

Na cidade, sempre através de algum amigo da escola, conhecíamos pessoas que não faziam parte do mundo agropecuário que eram visinhos, amigos, primos e às vezes até paquera de alguém da escola e acabávamos nos tornando num grande círculo de amigos.
Sinara namorava com um rapaz chamado Cleber. E foi através deste namoro que nos conhecemos.
Ela convidou-me para ir a uma festa junina no quartel com ela e seu namorado.
Estava uma noite muito, muito fria. E apesar do frio e da neblina, podia-se ver, vez ou outra, a lua, tão linda e redonda brilhando no céu Aquidauanense.
Fomos as duas encontrar com o Cleber no Bar da Praça.
− Olha lá ele!
Disse a Sinara.
Olhei, mais via várias pessoas, então perguntei:
─ Qual?
─ Aquele de camiseta vermelha, agora vindo em nossa direção.
Ao vê-lo pensei: “Meu Deus do céu!” Não acreditei em que viam meus olhos, só podia ser aparição ou sonho, por certo não existia na verdade, um homem tão bonito.
Era o Homem mais bonito que já vi durante a minha vida toda. E mesmo que eu passe horas descrevendo-o, não conseguiria descrever tamanha beleza.
Eu sei que vocês vão dizer que pequei. E confesso: cobicei o homem da próxima, e a próxima estava próxima. O que é ainda pior. Mais era algo além de minhas forças e deixar de cobiçá-lo era quase impossível.
Ele andava calmamente, passo a passo pela calçada, parecia um modelo numa passarela. Usava uma camiseta Pólo vermelha calça Jeans e tênis. Cabelos bem curtinhos, estilo militar, pois ele estava servindo ao exército na época. Olhos cor de mel, pele clara, lisa, barba feita e a boca carnuda. E que “boca” era aquela? Ele tinha um jeito de ficar molhando os lábios a toda momento que era coisa de louco... E o sorriso? Um sorriso calmo, quase silencioso que parecia iluminar toda a noite. O corpo musculoso, torneado, formas perfeitas. Tudo era proporcionalmente perfeito. Cada centímetro foi desenhado com sucesso pra provar que Deus é perfeito em suas obras.
Cleber e eu conversamos a noite toda, nossos assuntos combinavam e a Sinara e o Murilo ficavam apenas nos olhando, como se fossem meros coadjuvantes no espetáculo onde nós dois atuávamos como atores principais.
Divertimo-nos muito. Riamos de tudo. É impressionante como adolescente acha graça em tudo. Também a vida é boa, sem responsabilidades, sem contas para pagar, filhos, trabalho, casa e todo o resto que faz um adulto quase enlouquecer. Mais não a nós, com nossa adolescência toda pela frente pra poder vivermos felizes e rindo de tudo. No final da festa o Cleber e um amigo dele nos levaram pra casa.
Encontramo-nos mais algumas vezes depois, sempre em companhia da Sinara, mais o namoro não durou muito, nem me lembro por que eles romperam. Sei que logo ela arrumou outro e ele outra e seguiram seus rumos na vida.
E o Cleber e eu acabamos perdendo o contato. Chegamos a nos encontrar umas vezes por acaso, mas logo ele começou a namorar outra garota e seguiu um caminho diferente do que eu e as pessoas do meu círculo de amizade costumávamos seguir.


*COISAS INEXPLICÁVEIS

Quando a gente é jovem às vezes fazemos umas coisas que mesmo depois de muito tempo e de muito juízo não conseguimos explicar a razão dos nossos feitos de adolescentes.
Entre a Rusi e eu temos uma história assim que não tem explicação e nem motivo.
Ela começou a namorar com o Joelson, popular Boiola, logo que chegamos em Aquidauana. E depois de uns tempos começou a desconfiar da fidelidade do namorado. Sempre ela comentava suas desconfianças a mim e as meninas.
Um dia ela chegou e me fez uma proposta meio louca, era pra eu dar em cima de seu namorado pra ver a reação dele. Achei aquilo um absurdo, fiquei chateada com ela. Mais por dias ela insistiu naquilo.
Por causa da insistência dela eu comecei a observar mais nele, nas coisas que ele fazia pela escola, no seu comportamento com os amigos, nos bailes e nos lugares onde estávamos. E  a Rusi sempre voltava a tocar no assunto de eu flertar com seu namorado.
Até que eu aceitei.
Passamos a planejar cada passo da suposta paquera. E tinha dia e hora marcado pra tudo começar a ser posto em prática. A Magali e o Biscatinha faziam parte do plano.
Nós três fomos até o Viana, que era uma padaria que a noite se transformava em ponto de encontro da rapaziada. O Joelson e quase todos os meninos da escola estavam lá. Sentamos-nos numa mesa perto dele e comecei a olhar de vez em quando pra ele. Depois levantei e sentei na mesa onde ele estava. Conversei com todos e ria alegre, até cheguei a esquecer do plano. Tomei umas cervejas e esqueci por completo. A Magali, argilosa e astuta foi falar com o Joelson:
− Boiola, você não percebeu uma menina que está a fim de você?
− Não! Quem?
−Ah eu não vou te falar não, você tem compromisso, Né?
− É tenho compromisso.
E assim a gente chegou a pensar que ele fosse um namorado fiel. E que a Rusi tinha inventado uma dor de cabeça sem motivo.
Porém durante a semana eu continuei percebendo o jeito dele seguia-o com os olhos por toda a escola.
Passou um tempo e eu resolvi pintar meus cabelos de loiro. De negras madeixas passei a ostentar uma bela cabeleira loira que chamou a atenção pela mudança drástica na aparência. E pela primeira vez duvidei da fidelidade do namorado da minha amiga. E ele elogiou meus cabelos e me olhou nos olhos. Um olhar que me provocou até calafrios. E daquele dia em diante ele começou a me paquerar.
E a Rusi voltou com a conversa de por o plano em prática. Eu não quis, mais na realidade  eu queria e queria muito. Recusei no começo. Ela insistiu. Eu aceitei.
E novamente no fim de semana ela teve dor de cabeça e não saiu.
A Magali, o Biscatinha e eu saímos pra por em prática o argiloso plano. Novamente  no Viana encontramos o pessoal, sentamos junto com o Joelson e mais uns meninos do segundo ano. Eu me sentei bem ao lado do Joelson.
Ele elogiou meu perfume e disse que eu estava bonita. Eu sorri. Acho que até fiquei corada.
Pensei: “não terei coragem de dar em cima dele. Ela é minha amiga. Moramos juntas. Isso não vai dar certo.”
De repente ele me perguntou;
− Está pensando em quê?
− Em nada!
E sorri. Ele me olhava bem no fundo dos meus olhos. Reparei que seus olhos eram verdes. Tão lindos e verdes. E daí, sabe quando todos os sons somem da sua cabeça, ficando só a pessoa falando, falando e você só consegue prestar atenção na boca se movendo em câmera lenta? Eu não conseguia me desprender daqueles lábios. Até que a Magali se levantou pra ir embora e eu disse que iria acompanhá-la.
O Biscatinha como era namorado dela levantou também e ai o Joelson levantou e disse que iria com a gente também.
E a gente escolheu a rua mais escura e menos movimentada pra ir. A Magali e o namorado foram um pouco mais a frente e o Joelson e eu logo atrás deles. Íamos conversando, rindo e quando passamos em baixo de um pé de sete copa eu esfreguei uma mão na outra por que estava um pouco frio e bem na hora caiu uma folha da árvore nas minhas mãos. Eu ri. E ele me disse:
− Sabia que quando cai uma folha de sete copa em suas mãos você tem que dar um beijo pra ter sorte pra sempre?
− A tá bom!
E nisso ele me segurou e me beijou de surpresa. Eu parei olhei pra ele que sorria pra mim. Um turbilhão de coisas passou pela minha cabeça. E eu falei pra ele:
− Está errado isso. Você é namorado da Rusi. Ela mora comigo. Está errado, as coisas não podem ser assim.
− E como as coisas devem ser?
− Sei lá! Mais não assim.
_ Você tem razão. Não tem que ser assim. Tem que ser assim...
E me puxou forte em seus braços e me beijou tão bom que eu não quis parar aquele beijo afinal a Rusi causou tudo aquilo. E beijamos muito.
Voltamos pro Viana e logo depois eu fui pra casa, que era meia quadra do Viana.
Quando cheguei em casa, logo  contei a história pra Rusi, não com todos os detalhes pra não lhe magoar ainda mais. Ela me olhou firme e me disse;
− Não pensei que ele fosse ficar com você. Sei lá. Eu não pensei que fosse capaz.
− Você quis que isso acontecesse.
− Mais eu achei que não ia acontecer.
− Você subestimou minha capacidade de sedução. Acha que por eu ser gordinha ele não iria se interessar por mim. Enganou-se.
− Na realidade eu queria tentar vocês dois.
− Que seja. Você se deu mal.
E fomos dormir chateadas, magoadas e feridas. Dissemos muitas coisas uma pra outra.

A CASA

Mudei-me do hotel logo depois e passei a morar com a Dona Arminda, coordenadora da escola. Mais também não morei muito tempo com ela.
Fui morar na pensão da mãe da Claudia, telefonista no Cera. Na pensão da Tia Nelci, a mãe da Claudia, a comida e o tratamento que davam a todos os moradores era muito bom. Mais também não permaneci lá por muito tempo.
Fui morar com a Andréia, a Dani e mais alguns agregados de fim de semana, numa casa em frente ao cemitério. E foi onde morei até o dia da minha formatura.
A casa era uma meia água azul, com uma varanda na frente e ficava no fundo de outra casa.
Essa casa foi palco de muitas festas e cachaçadas.
A dona da casa da frente tinha um cachorro preto chamado Zeus que dava um certo ar de mistério a casa que já tinha um quê de sombrio por causa do cemitério.
Quando chegávamos à noite das festas e encontrávamos aquele bichão preto deitado na varanda dava até um arrepio, um incontrolável medo. 
Mas Zeus era um cão dócil, apesar da sua cara feia.

ANDRÉIA

A Andréia é uma amiga muito especial. Durante o tempo que moramos juntas nós rimos, choramos, brincamos, falamos sério, bebemos, encobertamos as armações uma da outra, fomos cupido, amigas e parceiras.
Graças a ela posso dizer seguramente que tenho uma amiga.
Ela é uma morena de parar o trânsito, muito sensual , provocante, misteriosa e sua personalidade extremamente marcante. Lábios carnudos, rosto oval, alta, magra, alegre, conversadeira e muito prestativa. Seus olhos expressam sua força interior. Como diz o poeta: os olhos são o espelho da alma.
Seu jeito despertava nos homens o desejo e ao mesmo tempo insegurança. Eles a desejam carnalmente, mais ela sempre deixava seus namorados inseguros, por sua beleza e aparente volúpia. E ela gostava e divertia-se com isso.
Ela chegou à escola quando já estávamos no 2º ano do curso, transferida de outra escola agrícola para a nossa. Já no primeiro momento sentimos uma afinidade, uma inexplicável compatibilidade, como se fosse um laço de sangue, um estranho parentesco, era assim que descrevíamos nossa relação. De repente fomos irmãs em outra vida. Pois apesar de um monte de ações sua que eu não considerava certa, nunca ficamos contrarias ou brigadas por muito tempo.   

O CAUSO

Um dia, eu e o Gustavo resolvemos tomar umas para esquecer... Esquecer sabe lá de que... Na verdade nem tinha o que esquecer, bebíamos era pelo prazer de ficar tonto.
Preparei uma caipirinha com pouco açúcar, que era a nossa preferida. E descia uma dose. Um mandava uma história. O truco rolando solto. Mais uma dose. Risada, piada, casos, mentira. E entre uma mentira e outra uma dose...
Acabou a pinga, nós dois já mais pra lá do que pra cá, fomos comprar a “saideira”. Era mais ou menos meia noite quando voltávamos e o Gustavo teve uma idéia:
─ Vamos beber esta no cemitério?
─ Vamos!
─ Então eu te ajudo a subir no muro e depois você me puxa.
Ele fez um apoio com as mãos pra eu subir e quando eu olhei pra aquela imensidão de túmulos parece que eu vi um clarão, deu uma moleza nas pernas que me fez cair como manga podre, perdi os chinelos no meio da grama e do jeito que levantei sai correndo e o Gustavo atrás perguntando o que eu tinha visto, e pra completar o Zeus assustou-se e avançou contra nós, quase não nos deixou entrar.
O que eu vi, ao certo eu não sei, mais daquele dia pra cá o Gustavo e eu passamos a respeitar muito mais o campo-santo. 

GRUPO TEATRAL DO CERA

Tínhamos na escola um grupo teatral bem estruturado e sempre de muito talento artístico, roteiros bem escritos e direção excepcional.  Que ao longo da história da escola fez parte por suas belíssimas apresentações.
Desde que soube do grupo tentei fazer parte do elenco, porém como ainda não tinha muitos amigos na escola não consegui ser escolhida. Havia um processo de seleção que na verdade era uma espécie de formação de cúpula, pois quem selecionava os integrantes do grupo eram os próprios candidatos a atores.
No dia da seleção tinha uma votação onde votava em si próprio e em mais um indicado, formando-se assim um grupo de afinidades que representaria a peça da escola durante um ano. Não consegui ser selecionada em dois anos consecutivos.
No meu terceiro ano de agriculina, depois de duas tentativas frustradas, consegui fazer parte da cúpula e representei ótimos papeis.
Sempre me esforcei muito pra desempenhar bem meu ofício de atriz. Mesmo sendo um grupo de teatro amador, pra mim e para os demais integrantes era o mais importante e célebre grupo.
A primeira peça que encenei no grupo foi a peça “Cine Glória” contando a história do cinema de Aquidauana que apresentava trechos de alguns filmes da época em que o cinema fez maior sucesso e era o único entretenimento da pequena cidade pantaneira. Juntamente com os trechos dos filmes tinham algumas histórias da participação do menino Rubens correia e seu estreito laço com o Cine Glória, que recebeu esse nome em homenagem a sua mãe.
Interpretei uma interessante versão de uma Jane estressada, esposa de um Tarzan vida boa que tinham um bebê muito engraçado. Na peça atuávamos sempre de mais um papel com figurinos muito originais e visando sempre o baixo custo.
O resultado da peça foi muito bom e na época recebemos ótimas criticas e até fui reconhecida na rua uma vez. Isso demonstra o ótimo trabalho desempenhado por todo o grupo.
Apresentamos a peça “Cine Gloria” para todos os alunos e funcionários da escola, para os universitários do CEUA e numa mostra teatral em Maracaju.  


NOS FINS DE SEMANA

Durante a semana toda inevitavelmente ficávamos na escola o dia todo e em algumas noites. Mais nos fins de semana reuníamos os amigos da escola na minha casa ou em algum dos barzinhos da cidade pra conversar, beber, tocar, cantar moda de viola e paquerar.
Nossa vida social era muito intensa. Os meninos faziam muito sucesso com as meninas da cidade e isso causava certo furor nos garotos da cidade, que para vingarem-se, paqueravam as meninas do Cera. Mais no final todos saiam ganhando, de um lado ou de outro. O negocio era paquerar e isso a gente fazia direitinho.
Saíamos no começo da noite e voltávamos às vezes com o dia raiando.
Nosso passatempo preferido era ir a bailes. Dançar e paquerar muito.
Os meninos da escola não eram bonitos, na verdade tinham uns que eram bem feinhos, mais o simples fato de estarem no Cera fazia deles objeto de desejo da mulherada. Eles tinham um jeitão rústico, bruto, uma maneira de falar errado que fazia as garotas suspirarem.
E a contrapartida as meninas da escola tornavam-se as melhores candidatas a amiga de muitas das patricinhas da cidade, que queriam nos usar como ponte até seus pretendentes. Claro que a gente percebia esse jogo, mais isso nunca nos trouxe nenhum problema. 

JUREMA

Jurema é uma personagem muito especial para qualquer um que passou pela escola. É uma mula muito inteligente e bela. Sabia voltar sozinha pro mangueiro onde morava e até já desfilou em praça publica ostentando um lindo girassol na orelha esquerda. E em muitas das histórias vividas pelos alunos que passaram por lá, a Jurema fez parte. Em muitas das vezes, ela, dizem as más línguas, era a cabeça de toda a tramóia.
Certo dia o Coalhada, o Tithiolina e o Néder juntamente com a Jurema armaram uma estratégia muito ardilosa pra caçar tatu.
Começaram pela manhã a armar o plano mirabolante deles, procuraram o buraco do tatu e com uns galhos secos deixaram tudo marcado pra mais tarde.
Voltaram pra escola e foram pra aula como de costume.
E tudo mais também seguiu como de costume: foram pro alojamento, tomaram banho, foram pro refeitório, jantaram, voltaram pro alojamento, fizeram sua higiene, assistiram um pouco de TV e foram dormir como em qualquer outro dia faziam.
Depois que todos dormiram e que o silencio imperava pela escola eles levantaram em surdina e começaram a pôr em pratica o plano. Foram até a bovinocultura, onde dormia inocentemente a pobre mula que logo seria cúmplice de toda a tramóia.
A trupe ajeitou a carroça no lombo da mula, um tambor com água e seguiram silenciosamente.
A intenção deles era encher de água o buraco até forçar o tatu a sair da toca em seguida o Néder o acertaria com um porrete que o tontearia e logo o Coalhada agarraria o animal enquanto o Tithiolina alumiava o local com uma lanterna.
Tudo saiu como o esperado.
O pobre tatu foi pego e virou churrasquinho. E para não deixar vestígio da ação noturna os meninos pegaram as brasas e colocaram em cima da carroça e iam jogar tudo num lago ali perto, porém a estratégia teve que ser mudada às pressas por que quase foram pegos em flagrante e tiveram que abandonar a carroça e a mula ali mesmo.
No dia seguinte, logo pela manhã, quando o ônibus chegou à escola nos deparamos com os demais alunos do internato rigorosamente em fila indiana, reta e silenciosa e na frente o inspetor e o diretor que falam sem parar, era sermão em cima de sermão.
O objetivo era descobrir quem havia colocado fogo na carroça da Jurema e deixado a pobre atrelada à carroça, correndo o perigo de ser incendiada.
E enquanto o malfeitor não aparecesse ninguém sairia daquele local e posição.
Porém, depois de incansáveis horas e tentativas sem sucesso a direção da escola desistiu, pois os culpados não entregaram-se e tudo terminou em pizza, ou melhor em bandejão com arroz, salada e carne de porco.
  

O RENCONTRO.

Fomos à inauguração de um barzinho na beira do rio e o nome do bar era “Beira Rio”, nada mais original, não acha? Todo mundo estava lá, música boa, bebida e muita gente bonita. A coisa estava fervendo.
A garotada flertando, cantando, animados pela música ensurdecedora e a bebida, pareciam cada um num mundo a parte, individual, mas que em uma fração de segundos todos faziam parte do mundo do outro.
Lá pelas tantas da madrugada, eu já havia bebido todas e mais umas. Estava andando, curtindo,Conversando, resumindo: festando.
Senti segurarem meu braço, inerte, virei-me calmamente ao ouvir alguém dirigir-se a mim:
─ E ai?
Era o Cleber, que seguiu falando:
─ E ai! Como é que você está? Quanto tempo, hein?
E despejou um milhão de palavras e em minutos contou-me o que tinha acontecido com ele naqueles três anos que ficamos sem nos ver.
Havia noivado com tal de Tuy, e ela o trazia na rédea curta, mais que já estavam separados...
Blá! Blá! Bla! E Blablablá...
E na tentativa de me livrar daquela conversa chata e inoportuna para uma festa tão boa como aquela, o convidei:
− Aparece lá em casa qualquer dia, pra gente conversar mais. Eu vou indo que o pessoal está me esperando ali. Tchau.
Sabe aqueles convites que você faz, mas que não são para serem aceitos. Que são por pura educação e que na realidade você nem quer saber do assunto que a pessoa está falando e sem encontrar outro meio pra despistar você faz um convite. Tipo: me liga, passa lá em casa depois, vamos marcar alguma coisa.  Mais na realidade não se quer nenhuma das coisas. Então, era esse o caso.

*O TEATRO

Depois de meses de ensaio chegou o grande dia da estreia da peça “Alegria” que contava um pouco da história de Rubens Correia, que nasceu em Aquidauana e também fez sucesso no teatro carioca. A peça é formada por recortes, vivências, entrevistas e fragmentos de peças vividas por Rubens Correia, um aquidauanense que foi para o Rio de Janeiro estudar e tornou-se um ator que ficou consagrado através do grupo de teatro Tablado.
A peça foi escrita e dirigida pelo professor Paulo Correia primo em primeiro grau de Rubens.
Eu e alguns amigos, que também faziam parte do grupo teatral do Cera, estávamos em minha casa, esperando o grande momento da estreia da peça.
Levei um susto ao ver o Cleber chegando, afinal o convite não era pra ser aceito, era só por educação. Na verdade, aquele dia eu queria apenas ficar concentrando para a apresentação de mais tarde.
Mais lá estava ele para a visita e para a conversa.
− Olá! Tudo bem com você, Cleber? Senta aqui e toma um tereré com a gente.
Mais uma vez, na tentativa de me livrar dele, fiz outro convite, dei a ele um convite para a estreia da peça que seria logo mais a noite. E logicamente ele foi.
A peça seria apresentada no teatro do CEUA, onde posteriormente fiz meu curso superior.
Quando cheguei ao teatro ele já estava lá me esperando, conversamos por alguns momentos e entrei para fazer a maquiagem.
Muito nervosismo, apreensão, ansiedade.
Contudo a peça foi um sucesso e tudo ocorreu como deveria.
Depois de muitos aplausos, saímos do palco, tiramos a maquiagem, arrumamos tudo e fomos pra minha casa comemorar o sucesso da estreia.
Bebemos muito e conversamos até raiar o sol.

Matos e Campos

CONVERSAS


Por falar em conversar até raiar o sol lembrei-me de uma coisa que é muito interessante e peculiar a qualquer agriculino que se preze. As gírias.
Tinham coisas bem originais. Como por exemplo, quando queríamos desconversar de algum assunto dizíamos: “quati que ti quer” ou quando concordávamos muito com uma coisa intensificávamos o “é verdade” ou contraditoriamente “pior” que era uma forma de concordar com uma coisa que não era boa.
E tinha umas frases que eu nem sei por que falávamos como, por exemplo, “cai na água capivara baleada”, “anta paralítica”, “pilungo”. E quando íamos trabalhar dizíamos “quebrar rola”.
Os “alunos recém chegados à escola eram “bagaços” e depois a cada ano era promovido para “tio” “avô” e por último “bisavô”.
E pra dar ainda uma autenticidade maior ao falatório tínhamos um sotaque caipirês bem caprichado pra acompanhar a conversa.


BAILE DO RADIALISTA


Na outra semana foi o baile do radialista, tradicional em Aquidauana. Vinha grupos musicais muito bons tocar de graça a noite inteira para o povo se acabar de dançar.
No finzinho da tarde, meus amigos da escola agrícola começaram a chegar a minha casa para os preliminares da festa. E era uma cervejinha, um petisco, tereré e muita conversa fiada até a hora de se preparar: banho, perfume, cabelo, roupa e um toque especial, que era lustrar bem a bota, e pronto, era só cair na noite.
Fomos todos juntos, mais foi só começar o baile que cada um se arranjou e eu fiquei sozinha, conversando com alguém aqui, com outro ali e a festa seguia. O bailão estava lotado, muita gente bonita e animada.
Dancei tanto que as pernas até doeram, transpirava as bicas, com o calorão que faz em outubro, fui buscar uma cerveja no bar para refrescar-me, enquanto me dirigia ao bar senti que alguém segurou meu braço, no entanto, pensei ser um dos meninos e puxei o braço num rompante, mas não era. Era ele, o Cleber em carne e osso, mais lindo do que nunca. Sorri-lhe e disse:
─ Desculpa, achei que fosse um dos meninos que vieram comigo.
E ele só sorria, não respondeu nada, ficou apenas me olhando e rindo. E aquele sorriso, valha-me Deus! Era o sorriso mais encantador, puro e verdadeiro que parecia inundar de luz a penumbra daquele ambiente. E tentativa de acabar com aquele silencio que nos consome e faz pensar um milhão de possibilidades absurdas, convidei-o para buscar uma cerveja no bar.
Aquele percurso até o bar pareceu alongar-se demasiado e que para chegar levamos horas.
Eu achava-o o homem mais lindo e fascinante de todo o mundo e nem nos meus melhores sonhos um dia ousei desejá-lo, pois pra mim ele era como o amor dos poetas, belo, puro e inatingível.
No entanto não fugi da minha sina em nenhum momento. Bebemos, dançamos, conversamos e rimos a noite toda.


O PRIMEIRO BEIJO


Quase no final do baile percebi que meus amigos haviam cada um arrumado uma garota e sumiram da festa. Comentei com ele que meus amigos tinham me abandonado. E brinquei dizendo a ele:
− Como eu, uma garota “ingênua e desamparada” voltarei sozinha para casa?
E ele respondeu um não sei o quê, que o barulho não me deixou ouvir, então me aproximei dele e perguntei o que havia dito.
Nesse momento os meus olhos encontraram os olhos dele e se perderam nessa troca. Por um instante, pareceu que a terra havia parado e que só existíamos os dois no planeta. E aqueles olhos, tão lindos, foram se fechando, os lábios úmidos se abrindo e tive a impressão que sinos soaram em meus ouvidos, nesse momento o espaço parecia efêmero. E nossos lábios se uniram num beijo tão maravilhoso, doce, arrebatador e especial.
Numa fração de segundos o mágico momento virou a mais magnífica realidade, a música voltou a tocar e muitos outros beijos como aquele vieram.
Depois de muitos beijos arrebatadores percebemos que o baile estava acabando e já restavam poucas pessoas no salão. Então saímos abraçados e ele me levou até minha casa.
Parou a moto em frente ao portão, comentou sobre como sinistro achava o cemitério, beijou-me a boca como despedida e partiu.


NO OUTRO DIA


Acordei cedo, fui até a cozinha, bebi um copo com água, encostei-me à porta, senti uma felicidade e depois uma secura na boca. Uma tristeza misturada com insegurança. Pensei; “foi um sonho, é maravilhoso demais, só pode ter sido sonho.”
Um barulho na sala me fez voltar à realidade, eram os meninos que começavam a acordar e logo começou a reclamação de ressaca e as novidades do baile. E eu só ouvia a tudo e recordava maravilhosa noite de beijos.
─ E você, hein? Não laçou ninguém?
Perguntou-me o Coalhada:
─ Eu... Não!... Fui laçada!
─ Humm! Conta! Conta!!!
─ Fiquei com o Cleber...
A Andréia que ainda estava deitada gritou do quarto:
─ Não acredito. O bonitão da Titan?
─ O próprio. – Confirmei.
─ E ai? Vocês estão namorando?
─Não sei... – suspirei − Acho que não!


ESPERA ANGUSTIANTE


O dia seguinte é terrível para as mulheres, a gente fica numa ansiedade horrível, muitas dúvidas surgem: “se será procurada novamente; se que ele gostou; se foi muito atiradinha para o primeiro encontro”. E várias outras dúvidas passam por nossas cabeças e comigo não foi diferente, pensei tudo isso e muito mais. A espera é angustiante.
Depois do almoço os meninos tiravam uma soneca e depois voltavam para a escola de carona.
A Andréia foi para seu estágio numa fazenda perto de Camapuã.
A Dani viajou pra sua casa, pois começava a semana do saco cheio e não teríamos aula.
Eu começaria meu estágio na suinocultura da escola na segunda feira e ficaria sozinha em casa a semana inteirinha, numa solidão de fazer dó, falei comigo mesmo:
− Sozinha! A casa em frente ao cemitério! Humm! Isso não é nada bom...
Mergulhada em meus pensamentos sentei-me na varanda para tomar um tereré e foi então que eu tive a melhor visão do dia: O Cleber andando pela grama verde, com uma bermuda Jeans, uma camiseta vinho e um largo sorriso no rosto. Até o Zeus se encantou com ele e também ficou admirando seu caminhar e não deu um latido se quer.
Quando chegou bem perto de onde eu estava me levantei para pegar uma cadeira para ele que disse “oi” e me beijou de súbito.
Dizem que o primeiro beijo é o melhor, mas ainda hoje fico em dúvida, não sei se o melhor realmente foi o primeiro ou se foi o segundo que veio acompanhado de um “oi” que rematou minhas dúvidas.




SAIDINHO...


No fim da tarde convidei-o para voltar à noite para jantarmos juntos. Com um sorriso irônico no canto dos lábios ele respondeu que mais tarde voltaria.
Preparei um macarrão com molho de ervas e uma saladinha verde. Arrumei a mesa com uma toalha branca e umas flores para dar um charme. Perfumei a casa com um maravilhoso incenso de lavanda e fui me aprontar para esperar meu convidado.
Às oito horas em ponto ouvi o Zeus latir. Fui até a porta e lá estava o meu amor, lindo, com uma roupa preta e uma jaqueta de couro, dessas que motoqueiro usa.
E o perfume? O quê era aquele perfume? Não sei se aquele perfume ainda é fabricado, mais ainda hoje me lembro daquele cheiro, imponente, másculo, com um suave toque amadeirado que o tornava ainda mais atraente.
E o saidinho trazia ainda uma mochila a tiracolo com roupas de dormir. Onde foi que no convite para jantar estava escrito que depois o jantar se estenderia até o café da manhã?
Bem, mais como sou uma anfitriã educadíssima não quis envergonhar meu convidado e deixei aquela mochila passar despercebida, afinal talvez mais tarde ela pudesse ser útil.
Ele disse-me que havia trazido um CD da Alanis Morissetti e foi até o som para colocá-lo, enquanto me contava uma história de seu passatempo preferido: jogo de vôlei. E enquanto ele falava sua voz ia sumindo nos meus ouvidos e meu cérebro concentrou-se inteiramente nos seus lábios molhados que me fazia sonhar e desejar ardentemente seus beijos. Fui até ele e num rompante o beijei fundo e calmo até sua alma se sentir beijada, como diz uma canção que ouvi uma vez.
O jantar ficou pra mais tarde, depois daquele beijo vieram outros e mais outros cada vez mais ardentes e acompanhados de abraços, afagos, múrmuros e acabamos fazendo amor ali mesmo no tapete da sala. E foi tão maravilhoso, especial e fervoroso. Meu corpo encaixava no dele como um quebra-cabeça encaixa suas peças e nos completávamos de tal forma que parecia que líamos os pensamentos um do outro.
A gente tinha muita coisa em comum, mas na hora do amor, decididamente era em que mais combinávamos. Passamos a semana inteira juntos e sozinhos como numa lua de mel. Foi maravilhoso.


CADA MANHÃ


Durante todos os dia da minha vida lá no Cera a pior parte era acordar pela manhã. Aquele despertador tocava desesperadamente e a gente ainda perdia à hora. E saia correndo, se arrumando pelo caminho, penteando os cabelos.
Teve uma vez que eu e a Andréia saímos correndo, atrasadas e pra completar nos deparamos com o trem fazendo manobras nos trilhos. Ai a gente tinha duas opções: esperar o trem terminar a manobra e perder o ônibus ou então pular entre os vagões.
O trem fazia uma parada curta entre uma manobra e o outra e essa era a chance, porem se errasse o pulo já era. Virava presunto. Mais sorte é que adolescente tem uma destreza surpreendente, por que se fosse aos dias atuais, seguramente iria perder o ônibus.


CHURRASQUINHO NO VACA


Opa! Vocês devem estar pensando que tem um erro gramatical no título desse capítulo, mas não. Vaca era o apelido de um professor e amigo da turma.
Depois que comecei a namorar o Cleber eu me afastei um pouco da turma, por isso eles inventaram um churrasquinho na tentativa de trazer meu namorado para o nosso grupo de amigos.
Mas a tentativa foi meio torpe.
Nesse churrasco conheci qualidades do Cleber que não sabia que existiam, por que ele era legal, divertido, engraçado e bem humorado. Mais também muito ciumento. Confundiu a minha amizade com os guris. Achando que eles me davam mole, como ele próprio me confessou dias depois. Mais o fato era que por eu ser a única menina da sala eles me protegiam e paparicavam demasiadamente e isso causou certa estranheza ao Cleber que pensou ser insinuação deles para mim. Mas era só carinho e amizade.
No entanto, o programa foi um fiasco, fiquei dividida entre o namorado e os amigos.
Costumeiramente eu e meus amigos bebíamos e fumávamos muito e isso também criou atrito entre eu e meu amor, que apesar de beber socialmente, como fazia questão de afirmar, ele odiava cigarros.
Eu já estava “quase” tonta quando fui fazer um cigarro de palha. Peguei o fumo de primeiríssima linha, a seda era “traia de patrão”, coloquei o fumo na seda, enrolei com uma destreza invejável, coloquei na boca e quando fui ascender meu enamorado só me olhou, com aquela cara de mau e disse para eu não fumar. Sorri abaixando os olhos, ascendi, dei uma tragada e uma baforada e passei-o para o Coalhada que continuou a fumar.
Dei uma volta pelo quintal, chupei uma bala e fui tentar da um beijo no meu amado que levantou e falou educadamente que não beijava mulher que fumava e que também não as levava para casa. Despediu-se do pessoal, subiu na moto, deu partida e foi embora sem se quer olhar para trás.
Acabei indo embora a pé com a Dani e os guris. Chegamos a casa e nos sentamos na esquina em frente ao cemitério. Pensei que aquele tivesse sido o fim do meu namoro.
Eu lembro vagamente que tocava uma música, nem sei quem canta sei que falava em paredes azuis, solidão, abandono. Eu chorava, chorava muito.
Bêbado é uma coisa, chega a ser engraçado as coisas que um pinguço apronta.
Minha amargura e embriagues era tanta que nem percebi que o Cleber estava parado com a moto atrás de mim. E já fazia tempo que ele estava ali parado ouvindo as histórias dos meninos. Eu só o percebi quando ele me chamou pra dormir. Fui mal educada com ele:
─ Você disse que não beija bêbada, não carrega bêbada e agora quer fazer-se de bonzinho.
─ Mais você não consegue ir pra casa sozinha...
─ Me deixa! A Dani me leva pra casa.
─ Tudo bem. Tchau! – E sumiu pela escuridão.
Há muito custo conseguiram me levar para dentro. Eu não queria entrar, tinha a esperança que ele fosse voltar num cavalo branco e salvar a princesa do pudim de cana.


NO OUTRO DIA...


No outro dia a ressaca é terrível. A cabeça parece que vai estourar e não há água que mate a sede. Mais o pior era a tristeza que consumia minha alma. Eu só queria ouvir musicas de fossa e fumei todos os cigarros que meu pulmão pode suportar. Como se aquilo fosse sarar minha dor e trazê-lo de volta pros meus braços.
No começo eu não gostava nada dele, queria apenas exibi-lo para as minhas amigas como se fosse um troféu. Mais conforme fomos nos conhecendo o amor foi surgindo e crescendo como erva daninha na lavoura. Por isso fiquei tão triste e magoada, não queria que fosse o fim do nosso namoro.
Passei o dia todo triste. O pessoal falava, ria, contava histórias, piadas, mas nada me alegrava nem despertava meu interesse. E assim o dia arrastou-se até a noite chegar, triste e solitária como eu.


À NOITE


Depois de muita insistência da Dani, fomos até a praça, demos uma volta pelo Viana, depois pelo Bar da praça, conversamos um pouco com o pessoal e então resolvemos comer um lanche antes de voltarmos para casa. Sinceramente eu não estava uma companhia nada agradável naquela noite.
Sentamo-nos no Alziro Express para lanchar. Chamamos o garçom. De repente percebi um carro passando bem devagar, ascendi um cigarro, dei uma tragada longa e uma tosse me fez pensar que parar de fumar me faria bem.
O garçom nos trouxe o cardápio. Foi então que percebi o carro, que se aproximava novamente. Meu coração quase saiu pela boca quando reconheci o Cleber ao lado do Marcelo, um amigo dele que até então eu não conhecia, joguei o cigarro, descasquei uma bala, coloquei-a na boca enquanto eles procuravam um lugar para estacionar. Encontraram uma vaga alguns metros de onde estávamos. Desceram e vieram em nossa direção. Cumprimentaram-nos e foram sentando nas cadeiras ao nosso lado. Fiquei quieta, com cara de poucos amigos, acendi um cigarro e então o Cleber me perguntou:
─ Ainda não parou de fumar. Uma moça tão bonita não devia fumar. A mão fede cigarro, o cabelo fede cigarro, sem contar o mal para a saúde...
Na verdade eu sabia de tudo aquilo e também não gostava do cheiro em minhas mãos e em meu cabelo. Mesmo assim não manifestei a mínima reação. Dei mais uma tragada e joguei o cigarro fora, pois o garçom tinha chegado com o lanche.
Depois de comermos falei pra Dani que deveríamos ir para casa que já estava tarde e no outro dia tínhamos que acordar cedo para ir à escola.
─ Não se preocupem levamos vocês para casa. ─ Falou o Marcelo e pediu ao garçom uma cerveja. Eles beberam, conversaram um pouco e eu quieta.
Depois de duas cervejas eles nos perguntaram se já poderíamos ir. Levantamos todos e andamos até o carro. Entrei primeiro, o Cleber entrou em seguida e a Dani foi na frente com o Marcelo.
Antes de descermos o Cleber disse que iria pegar sua moto na casa do amigo e voltava para conversarmos.


A CONVERSA


Em poucos minutos ele estava de volta e expliquei que estava magoada com a forma como ele falou comigo na noite anterior. Obvio que ele tinha sua razão e eu tinha a minha. E que ele deveria ter falado de uma forma mais agradável que não gostava que eu fumasse. Ele concordou que foi grosseiro e pediu educadamente pra eu não fumar quando estivesse com ele.
Depois desta conversa resolvi parar de fumar definitivamente e hoje sou uma saudável mulher cheirosa, porque o pior de todos os males do cigarro, em minha opinião, é o mau cheiro. Fumar não está com nada e faz um mal irreparável a saúde. Por isso por um movimento aos cheirosos e saudáveis: Parem de fumar!


TUDO VOLTA AO NORMAL


Tudo voltou ao seu percurso natural. Até a Andréia voltou depois de meses fazendo estágio em Camapuã.
E ela foi recepcionada com muita festa, é claro, pois tudo naquela época era motivo de festa.
Começamos em casa: música, bebida, rapaziada e muita paquera.
Depois a Andréia sugeriu irmos para o Bar da Praça para continuar a bebedeira:
− Tudo bem então a gente encontra vocês lá que a gente vai de moto.
− A Jane agora virou a Princesa Daiane e o príncipe Charles é o Cleber. Os dois não podem andar a pé. Vão acabar virando uns porcos de gordo. Vamos logo princesa Daiane dê a honra da sua companhia a plebeiada e vamos andando.
Para agradar a minha amiga seguimos todos andando pelas ruas da cidade. Rindo e falando alto seguíamos até o bar.
Chegamos e já pedimos a cerveja mais gelada do bar. Que o Cleber pediu brincando com o garçom:
− Traga duas cervejas bem geladas. Aquelas que você escondeu pro prefeito.
E a cada vez que alguém lembrava que se aproximava a nossa formatura era motivo para bebermos mais uma e nunca faltava alguém para começar a choradeira.
É muito triste ter que se separar dos amigos de anos de festa, alegria, companheirismo, cachaçada e dos momentos sérios também. A gente criou um vinculo de irmãos e com certeza era muito triste saber que cada um ia voltar para sua cidade e seguir a vida dali em diante sem a presença constante dos amigos. E ai pra esquecer a gente bebia mais uma.
Eu, particularmente, ficava mais triste que os demais, pois além dos amigos teria que me separar do amor da minha vida que residia em Aquidauana e eu, só por ocasião dos estudos.


OS PREPARATIVOS


Os preparativos para a formatura iam de vento em poupa. E quanto mais se aproximava a data mais dava um nó na garganta, um aperto no peito. Depois de quatro anos ter que deixar os amigos pra seguir numa vida que parecia não ser a minha, pois a minha vida era os amigos, a escola, as festas, enfim a rotina aquidauanense e em poucos dias eu estaria vivendo numa cidade que apesar de eu ter nascido e crescido, me sentia, naquele instante, total forasteira. E voltar para Ponta Porã era uma coisa que me deixava muito triste.
Eu passava horas pensando Que precisava terminar o namoro com o Cleber. Mais eu estava tão confusa, uma ebulição de sentimento tomavam conta de mim. Na realidade eu não queria terminar nada, mas longe um do outro não dava para continuar esse namoro. Por que pra mim o amor é uma coisa que precisa do toque e da companhia se não se torna o amor inatingível dos poetas românticos.
Olhava para ele e me perdia em meus pensamentos. Queria passar o resto de minha vida ao seu lado, mais e o meu discurso de mulher independente e feminista: que iria trabalhar e ser uma técnica em agropecuária de sucesso, que iria viajar para os maiores centros agrícolas em busca de aperfeiçoamento e novas tecnologias agrárias.
Na verdade não era nada do que eu realmente queria, eu queria era lavar, passar e cozinhar para o Cleber e ter uns seis meninos para formar um time de vôlei. Mais como dizer isso tudo ao meu amado amante?


O PRIMEIRO PASSO...


A verdade é que um dos dois precisa dar o primeiro passo e começar a falar, afinal era a nossa vida.
Voltávamos de um show quando percebemos que furou o pneu da moto então a deixamos na floricultura da irmã dele e seguimos a pé até minha casa. Lembro-me que fazia uma noite linda, a lua brilhava tanto na imensidão negra do céu.
−Olha amor, que linda a lua! − Disse cheia de admiração.
O Cleber parou de andar e me olhou fundo nos olhos, abraçou-me e beijou-me num beijo tão profundo e calmo que me fez sentir medo. Medo de tudo ser simplesmente um sonho, uma falsa verdade e que a felicidade nunca existiu... E o beijo foi interrompido pelas palavras esbaforidas:
─ Amor, vamos continuar namorando depois que você se formar? Falamos-nos por telefone diariamente, de vez em quando você vem me ver e eu também vou lhe ver...
Interrompi-lhe com um beijo, e tão grande era a minha felicidade que quase não consegui falar:
─ Vamos... Vamos... Eu queria tanto ouvir isso de você meu amor...
Apressamo-nos por chegar a casa. E com beijos ardentes e apaixonados, embalados pelas românticas músicas de Alexandre Pires fizemos o melhor amor que duas pessoas apaixonadas podem fazer.




A FORMATURA


Não sei por que, esta tem sido a pior parte pra mim, já parei de escrever por longos meses. E a cada vez que tento recomeçar me dá um nó... Tenho tanta coisa pra falar deste momento da minha vida que acabam me faltando palavras.
São tantos sentimentos misturados: angustia, saudade... Um turbilhão de sentimentos. Uma coisa que me aperta o peito, que sufoca e o cérebro parece emperrar... E só consigo lembrar das cenas mais faltam-me as palavras...
Estou tornando isso confuso. Mais não é essa a sensação que quero transmitir aos leitores, gostariam que tentassem entender como é importante esse momento na vida de uma pessoa e são tantos sentimentos: Tristeza, alegria, amor, amizade, medo, vários sentimentos opostos mais que surgem todos ao mesmo tempo.


O GRANDE DIA


Dormíamos ainda quando fomos surpreendidos por papai nos olhando da porta da sala, que por certo, tinha amanhecido aberta.
Fiquei muito envergonhada, afinal era a primeira vez que meus pais me viam com um namorado, e logo numa situação daquelas. Não havia como esconder ou disfarçar estava só os dois na sala.
Meu pai frente a frente com sua garotinha, que ao lado tinha um bruta monte que é apresentado como namorado. Essa foi à situação mais difícil que tive que enfrentar.
E a cara que meu pai olhou pro Cleber? Acho que ele perdeu uns dez quilos só com o olhar que meu pai lançou contra ele. Visão de raios-X mesmo.
Não sabia ao certo como reagir. Toda encabulada ofereci um tereré.
Conversamos um pouco e joguei a bata quente nas mãos do Cleber e fui pro salão arrumar meu cabelo, e todas aquelas coisas que as meninas fazem no dia da formatura.


CHEGADA A HORA


Tudo estava perfeito. A colação de grau, o culto ecumênico e o baile.
Logo no começo do baile teve um contratempo: uma briga, uma discussão que assustou a todos. Foi um corre-corre, um empurra- empurra...
Achei que seria o fim. Mais tudo logo se resolveu.
Meu nervosismo era maior por que meu amor não tinha ido a colação de grau, não ligou pra avisar nada. E eu sucumbia-me de pavor de ser abandonada no dia da formatura.
Andava de um lado para outro, apreensiva, nervosa, que nem fazia conta com os elogios que recebi.
Era quase 1: 00 hora da madruga quando ele chegou. E estava um pouco estranho. Sério. Senti medo. Mesmo assim, não pude deixar de notar como meu namorado estava lindo, usando uma roupa social, camisa cinza escuro e calça de alfaiataria preta.
Preciso ressaltar que quando ele chegou, eu já havia tomado todas e mais umas já estava quase dobrando o cabo da boa esperança... E daí a tendência era só piorar. E era cerveja que vinha de todos os lados.
Os amigos que já começavam a chorar e a lamentar a separação usavam cerveja pra afogar as magoas. E o povo continuava a beber. E a chorar. E a relembrar do dia que aquele melhor amigo tirou aquele outro de uma enrascada, e aquele que arrumou aquela namorada mais gata da cidade. E cerveja. E choro. E lembra-se do dia que a gente colou na prova e o professor quase pegou. E da vez que o casalzinho escapou do Véio quando se agarrava atrás da sala na hora do almoço. E choro. E bebida. E lembranças. E abraços. E lágrimas.
Foi tanta cerveja e tanto choro que eu acabei esquecendo o namorado que enfurecido e sem entender todo aquele afeto e carinho entre amigos que passaram quatro anos juntos e viveram tantas histórias juntos, não entendia que ali era o começo de uma nova história e o fim de uma historia inteira. Pra nós era a coisa mais importante do mundo.
E eu sei que o meu namorado não era o único a não entender aquele momento, ali tinham muitas namoradas que da mesma forma que o Cleber não entendia aquelas lágrimas, abraços, palavras sem sentidos, cerveja, tristeza e alegria. Ttudo misturado.
Não tenho vergonha de assumir que escrevo essas linhas chorando, aos soluços mesmo. Ter que relembrar aqueles momentos ainda me causam muita emoção e acredito que cada um que estudou no Cera ao ler esse trecho também estará em lagrimas por que experimentou da emoção a qual me refiro.
E o meu namorado sem entender essa emoção, enfurecido e enciumado, aproximou-se:
─ Jane, vamos embora?
─ Não, meu amor, é cedo ainda!
─ Eu já estou indo. Fica ai com seus amigos. E não precisa vir atrás de mim que você já escolheu com quem quer ficar. Ficou a noite inteira se abraçando com um e com outro tem mais é que ficar com eles.
─ São meus amigos! É a minha formatura! Não sei quando os verei novamente. E é assim que você trata meus sentimentos?
E sem me responder, virou as costas e saiu.
Fiquei louca, desesperada, fui atrás dele. Mais sandália de saldo não é a melhor coisa pra se correr atrás do namorado quando eles terminam com a gente.
Eu não consegui alcançá-lo e em meio à multidão ele desapareceu...
E eu chorei ainda mais. E bebi ainda mais.
Depois de um tempo eu o vi no meio das pessoas e fui até ele:
─ Você não tinha ido embora? Arrependeu-se e voltou porque quer ficar comigo, né?
─ Não! Voltei porque tenho convite...
Saiu de perto de mim e começou a dançar num grupinho.
Eu fiquei meio por perto, bebendo. E é até onde eu lembro e ele também. Pois não sabemos como e nem sob quais circunstancias chegamos. Mais o fato é que acordamos um ao lado do outro no quarto dele, acordei com as pernas dormentes, pois adormeci com as pernas penduradas pra fora da cama e ele dormindo no chão ao lado da cama. Acordamos com uma dor de cabeça terrível. E rimos muito de tudo.
E ainda tinha o churrasco no Clube do Laço. Tomamos um banho e fomos correndo pra minha casa onde estava minha família nos esperando, meu pai com a mesma cara de poucos amigos do dia que chegou.
Com certeza não era fácil pra ele aceitar toda aquela situação, sua menininha até pouco tempo já era uma mulher.
Fomos todos para o almoço no Clube do Laço de Aquidauana, no caminho meu pai não pronunciou uma única palavra. Por certo estava digerindo toda a história.
Meus amigos já estavam todos reunidos. A música era boa, cerveja gelada, muita carne rolando nos espetos.
Estava uma festa belíssima. Muitos convidados, gente bonita, animada. Mais a felicidade tinha certo sabor de nostalgia, de adeus.
E essa nostalgia que torna essa a parte muito difícil de ser contado, ter que reproduzir em minha mente esses momentos me causa novamente um turbilhão de sentimentos que até então estavam adormecidos no meu peito.
Eu deixei muita coisa por causa do Cleber. E aquele foi um momento em que eu deveria ter vivido exclusivamente para os amigos, para a despedida, para o adeus.
Não era somente a tristeza da despedida que me angustiava, era a certeza de que a minha grande história de amor poderia acabar no momento em que o carro sumisse pela estrada. E isso aumentava muita minha dor, minha tristeza.
E decididamente não soube lidar com meus sentimentos divididos e deixei de lado meus amigos, meu momento. Momento único que eu deveria ter aproveitado até o ultimo instante. Porém, só agora tenho a maturidade de perceber isso. E naquele momento eu escolhi o amor, e todos devem concordar comigo: é uma escolha muito difícil, não é?


A PARTIDA


É chegada à hora da derradeira partida.
Fica no coração uma lembrança e na alma uma cicatriz que nunca sumirá.
A dor de não ter dado o devido valor àquele momento.
Parti. E aos melhores amigos de toda uma vida, disse um simples adeus. Um adeus frio e insignificante. Perdi a oportunidade de dizer a cada amigo a verdadeira importância que tiveram em minha vida. De olhar bem nos olhos dos meus amigos e dizer que os amava e que pra sempre teria cada um deles gravado na minha memória e no meu coração. E que sabia que dificilmente voltaria a revê-los mais que tinha valido muito, cada segundo que passamos juntos.
Mas passei este momento tão especial e único da minha vida como se fosse um acontecimento banal. Que inconseqüente eu fui!
Lembro-me que eles anotavam endereços e telefones um do outro e eu não anotei nenhum único contato por que tinha medo de meu namorado se enciumar. Que pena! Partimos e nos perdemos pela vida. Cada um seguiu um caminho e só restaram as lembranças, a dor e a saudade.
E hoje eu sei que eu devia ter vivido com muito mais intensidade aqueles momentos únicos na minha vida adolescente.
Porém, quero aproveitar essa oportunidade para dizer aos meus amigos de jornada que aqueles quatro anos que vivi ao lado deles foram à melhor fase de minha juventude e quero que todos saibam do meu arrependimento, a intensidade de meu arrependimento, e que trago no peito uma imensa dor e saudade de cada amigo. E que por causa da inexperiência, não vivi da forma que deveria ter vivido aqueles momentos de prazer e realização ao lado de pessoas que durante tanto tempo fizeram parte importantíssima de minha vida. E eu poderia ter contornado melhor a situação.
Gostaria de ter abraçado a cada um deles. Ter dado um abraço forte, olhado bem nos olhos e dito:
− Adeus companheiros de uma vida, de uma história. Sigam felizes pela vida, que tenho certeza irá cuidar bem de cada um. Vou levá-los no coração pra sempre. Amigos, companheiros e quase irmãos, essa pessoa que hoje sou tem um pouquinho de cada um de vocês.
Aprendi com os vários agriculinos, de culturas e personalidades mil, a ter força e garra para lutar. Saibam que vocês passaram pela minha vida para me ensinarem tudo que sei e principalmente, ensinaram-me que viver é sentir cada segundo dessa vida boa, serena e às vezes agreste, mais que devemos viver cada momento intensamente.


O ÚLTIMO ADEUS


E naquele dia e parti sem olhar para trás. Com o coração dilacerado, rasgado, sangrando de dor eu segui sem nem ao menos olhar para trás.
Passamos na casa em que eu morava, recolhemos minhas coisas. Meu pai colocou tudo no carro.
O Cleber acompanhava tudo calado. Um silêncio doloroso. As palavras nos faltavam.
Todos entraram pro carro, ficando somente nós à porta do automóvel.
Ele olhou fundo nos meus olhos, com amor derramando pelos poros e uma dor terrível que dilacera a alma. Parou, abaixou os olhos, suspirou fundo e disse:
− Vou te ligar todos os dias e não deixarei de pensar em você um só minuto. E assim que der vou lhe visitar.
Um grande silêncio fez-se entre nós. Lágrimas rolaram de nossas faces e selamos tudo com um beijo. Um beijo apaixonado, terno, afetuoso, interminável...
Olhamo-nos por alguns instantes e deixamos o silêncio falar por nós.
Entrei no carro e papai saiu no mesmo instante.
Ficamos nos olhando até nos tornarmos formiguinhas. Minúscula e insignificante é a distancia para o amor.
 O FIM
.
Pela manhã, apos acordar, sentei-me na cama, respirei fundo, fechei e abri os olhos pra ver se tudo aquilo era verdade. Fui até a cozinha, peguei uma xícara de café. Sentei-me à mesa. E tomei a xícara de café mais longa e amarga de toda a minha vida.
Depois, por vários dias nos falamos pelo telefone. E as conversas eram intermináveis. Porém um dia ele não ligou e nem eu voltei a telefonar-lhe. E mesmo que vocês digam que eu deveria ter ligado, não acredito que isso salvaria nossa história de amor, pois a distancia já havia se incumbido de terminar ali em Aquidauana, à Rua dos ferroviários, em frente ao cemitério quando nossos corpos se transformaram em dois pontos separados pela distancia.

domingo, 6 de novembro de 2011

O melhor que a vida tem

A vida tem altos e baixos, situações difíceis e fáceis, momentos bons e ruins, mais decididamente sábias são as crianças que se contentam com pouco e são felizes pelo simples fato de existirem.
Minhas princesinhas: Letícia, Flávia e Flaviane sendo felizes e demonstrando toda essa felicidade cantando Baby, Justin Bieber que se cuide.
Lindas!
Confiram o vídeo das minhas gatas!