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sábado, 5 de março de 2011

Jornalista e leitura

Ontem observando um pate-papo acerca de uma postagem no Facebook comecei a pensar em como algumas pessoas sentem-se o centro do mundo e querem que tudo gire em sua volta.
Calma que vou explicar melhor:
Um jornalista postou em sua página do Facebook que não gostava que as pessoas comentassem suas postagens sem antes ler e entender bem as outras postagens para evitar comentários repetitivos, até ai tudo bem, ele estava tentando tornar suas postagens mais fluentes, menos enjoativas, coisas desse tipo. Só que a conversa foi tomando proporções estranhas, típicas de bate-boca. Eu senti no jornalista certa empáfia, como se ele detivesse a verdade absoluta, como se fosse uma espécie de ditador das regras, um corregedor de redes, como brincou uma comentarista. Outra pessoa comentou como era interessante o direito a livre expressão e ele quase teve um colapso por que não estava ferindo o direito dos outros de expressarem-se.
O fato é que ele se incomoda com os comentários das pessoas em seu post. Mais afinal, posts não são para serem comentados?
O jornalista em questão quer parecer mais critico, inteligente e culto do que na realidade é. E ai fica gerando atrito por coisa banal. À final é banal gerar todo esse atrito por que as pessoas não leem direito. Nós vivemos num país onde 16 milhões de pessoas são analfabetos e o cara fica se preocupando com pessoas que têm acesso a internet e que não leem por que não querem. Deixe as pessoas não lerem em paz!!!
Eu sou a favor da leitura. Sou professora de Língua Portuguesa e acho que a leitura é a solução para muitos problemas sociais, porém a imposição não é boa em nenhum sentido. As pessoas devem ler para adquirir conhecimento, por prazer e não por que alguém quer lhe enfiar leitura goela à baixo.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

UTOPIA

Um dia terei asas para voar, serei livre...
serei eu
Deixarei de ser expectativas alheias
Falarei o quê e com quem quiser
Sentarei e farei o prato que me der vontade e na altura que me convier...
Gorda! Magra! danem-se!
Serei eu
Sem me importar com passado ou futuro...
Serei eu!
Eu
Singular!
(Jane Aparecida Matos Pereira)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Capitação ou cachoeira do CERA

Dias atrás conversava com o Coalhada pelo MSN e ele me intimou a escrever uma história sobre a capitação de água do Cera. Pensei por algumas horas sobre várias histórias engraçadas que vivemos lá, no entanto eu me prendia muito mais em como descrever a beleza daquele lugar.
Para chegar até lá não era uma tarefa muito fácil, tínhamos que percorrer alguns quilômetros andando pelo mato, em algumas trilhas que muitas vezes nem conseguíamos encontrar por causa do mato fechado. Mais quando chegamos lá nos deparávamos com um poção maravilhoso, envolto por serras de pedras de um vermelho único e vegetação rasteira e altas árvores por cima. Os meninos tentavam incansavelmente encontrar o fundo do poção, mas mesmo os melhores nadadores da turma nunca conseguiram trazer uma única folha seca lá do fundo.
Os meninos misturavam coragem e loucura ao pularem de um tubo de ferro que cruzava por cima do poção de uma pedra a outra. E alguns pulavam do alto de uma árvore que ficava na serra, a esquerda de quem chegava ao poção.
Atrás do poção ficava um reguinho de água que descia por entre as serras e que nos atravessávamos por entre pedras escorregadias até chegarmos ao mais belo lugar que meus olhos já viram. Era a cachoeira do Cera. Não era muito alta, mais uma água limpida e trasparente escorria com uma força impressionante pelas pedras vermelhas da serra. Nós escalávamos pelas bordas da cachoeira e chegamos ao cimo da serra, uma visão única: um filete de água cobria a rocha toda.
Uma vez fugimos da escola e fomos para o poção. Eu, Magali, Sinara, Luciane, Weslayne e mais outros meninos que nem lembro mais quem tinha ido, mais era por volta de umas vinte pessoas. Fomos pelas margens do rio por que não podíamos ser vistas pelos funcionários da escola. Foi uma aventura total. Levamos horas para chegar até lá em cima da serra. Mas valeu cada passo andado. O calor estava insuportável, porém a água muito gelada e nos refrescou totalmente.
Quando voltamos para a escola já passavam das dezessete horas e em nossa mente teríamos que voltar para a cidade de carona. Mas para nossa surpresa o ônibus nos aguardava cheio de funcionários e de quebra a coordenadora Marta que nos deu o maior sermão e nos deixou de castigo por alguns dias e quase nos deu uma suspensão.
Para essa nossa façanha os meninos inventaram até uma parodia de uma musica que fazia sucesso na época: "Vou nadar e morrer na sala da Marta" embalado pelo ritmo de um pagodinho romântico.
Mas que valeu a pena, isso valeu, a água estava maravilhosa.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Contnuação 11

O 


O ÚLTIMO ADEUS



É chegada à hora da derradeira partida.

Fica no coração uma lembrança e na alma uma cicatriz que nunca sumirá.

A dor de não ter dado o devido valor àquele momento único e inigualável de minha juventude.

Parti. E aos melhores amigos de toda uma vida, disse um simples adeus. Um adeus frio e insignificante. Perdi a oportunidade de dizer a cada amigo a verdadeira importância que tiveram em minha vida. De olhar bem nos olhos dos meus amigos e dizer que os amava e que para sempre teria cada um deles gravado na minha memória e em meu coração. E que sabia que dificilmente voltaria a revê-los, mais que tinha valido muito cada segundo que passamos juntos.

Mas passei este momento tão especial e único da minha vida como se fosse um acontecimento banal. Que inconseqüente eu fui!

Lembro-me que os meninos anotavam endereços e telefones um do outro e eu não anotei nem um único contato por que tinha medo de meu namorado se enciumar. Que pena! Partimos e nos perdemos pela vida. Cada um seguiu um caminho e só restaram as lembranças, a dor e a saudade.

E hoje eu sei que eu devia ter vivido com muito mais intensidade aqueles momentos únicos na minha vida adolescente.

Por isso quero aproveitar essa oportunidade para dizer aos meus amigos de jornada o que não disse quando deveria ser dito, dizer que aqueles quatro anos que vivi ao lado deles foram à melhor fase de minha juventude e quero que todos saibam do meu arrependimento e da intensidade de meu arrependimento. E que trago no peito uma imensa dor e saudade enorme de cada amigo. E que por causa da inexperiência, não vivi da forma como deveria ter vivido aqueles momentos de prazer e realização ao lado de pessoas que durante tanto tempo fizeram parte importantíssima de minha vida. E sei que eu poderia ter contornado melhor a situação, mas tudo aconteceu da forma como aconteceu, porém me arrependo muito com a forma como lidei com as coisas.

Gostaria de ter abraçado a cada um deles. Ter dado um abraço forte, olhado bem nos olhos e dito:

− Adeus companheiros de uma vida, de uma história. Sigam felizes pela vida, que tenho certeza irá cuidar bem de cada um. Vou levá-los no coração pra sempre. Amigos, companheiros e quase irmãos, essa pessoa que hoje sou tem um pouquinho de cada um de vocês.

Aprendi com os vários agriculinos, de culturas e personalidades mil, a ter força e garra para lutar. Saibam que vocês passaram pela minha vida para me ensinarem tudo que sei e principalmente, ensinaram-me que viver é sentir cada segundo dessa vida boa, serena e às vezes agreste, mais que devemos viver cada momento intensamente.



A PARTIDA



E naquele dia eu parti sem olhar para trás. Com o coração dilacerado, rasgado, sangrando de dor eu segui sem nem ao menos olhar para trás.

Passamos na casa em que eu morava para recolhermos minhas coisas. Meu pai colocou tudo no carro.

O Cleber acompanhou tudo calado. Um silêncio doloroso. As palavras nos faltavam.

Todos entraram para o carro. E nós à porta do automóvel, nos olhávamos na esperança que o silêncio falasse por nós.

Cleber olhou fixamente em meus olhos, com amor derramando pelos poros e uma dor terrível que dilacerava a alma. Parou por um instante, abaixou os olhos, suspirou fundo e me disse:

− Vou te ligar todos os dias e não deixarei de pensar em você um só minuto nesta minha vida. E assim que der vou lhe visitar. Vou te amar para sempre e um dia a mais.

E sorrimos por ele ter recitado um verso de uma canção que tínhamos ouvido juntos uns dias antes.

Um grande e longo silêncio fez-se entre nós. Lágrimas rolaram de nossas faces e selamos tudo com um beijo. Um beijo apaixonado, terno, afetuoso, quase interminável...

Olhamos-nos por alguns instantes e deixamos o silêncio se encarregar do resto.

Entrei no carro e papai saiu no mesmo instante.

Ficamos nos olhando até nos tornarmos formiguinhas.

Minúscula e insignificante é a distancia para o amor.



O FIM



Depois, por vários dias nos falamos pelo telefone. E nossas conversas eram intermináveis.

Então um dia ele não ligou e nem eu voltei a telefonar-lhe.

E mesmo que vocês pensem que eu deveria ter ligado lhes respondo: não acredito que isso salvaria nossa relação, pois a vida já havia se incumbido de terminar nossa história de amor, ali em Aquidauana, à Rua dos ferroviários, em frente ao cemitério quando nossos corpos se transformaram em dois pontos minúsculos separados pela distância.

E atualmente, depois de anos passados, Cléber e eu ainda mantemos contato, ficou entre nós uma grande amizade.
E meus velhos amigos de tantas boas histórias seguiram na vida, porém, com a maravilhosa tecnologia posso, com alguns, mantenho uma amizade virtual. Confesso que com alguns mantenho uma boa amizade virtual e outros se transformaram em emails esquecidos no hotmail. No entanto, o mais importante de toda essa história foram os momentos vividos, e que nos transformou em que hoje somos: Profissionais respeitáveis, pais e mães de família que sempre levarão no coração e na memória as lembranças das histórias e das pessoas que durante quatro anos fizeram parte de um mundo só.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Continuação 10

A


A FORMATURA



Esta tem sido a parte mais difícil para escrever, já parei por longos meses. E a cada vez que tento recomeçar me dá um nó... Tenho tanta coisa pra falar deste momento da minha vida que acabam me faltando palavras.

São tantos sentimentos que se misturam dentro de mim: angustia, saudade... Um turbilhão de sentimentos. Um não sei o quê, que me aperta o peito, que me sufoca e meu cérebro parece emperrar... E só consigo lembrar as cenas mas me faltam às palavras...

Estou tornando isso confuso. Mais não é essa a sensação que quero transmitir aos leitores, gostariam que tentassem entender o quanto é importante esse momento na vida de uma pessoa e são tantos sentimentos: Tristeza, alegria, amor, amizade, medo, vários sentimentos opostos mais que surgem todos ao mesmo tempo.







O GRANDE DIA



Meus pais chegaram bem cedo em Aquidauana. E finalmente tudo estava pronto para o tão esperado momento. Passei muitas horas no salão de beleza. E o resultado final ficou muito bom, sem falsa modéstia, eu estava lindíssima, num longo preto, e os meninos também ficaram um arraso todos de paletó preto e camisa branca.

Tudo foi perfeito: a colação de grau, o culto ecumênico e o baile.

Bem, quase perfeito. No começo do baile teve um contratempo: uma briga, uma discussão que assustou a todos. Foi um corre-corre, um empurra- empurra... Achei que seria o fim. Mais tudo logo se resolveu.

Porém, meu nervosismo era maior por que meu amor não tinha ido a colação de grau, não ligou pra avisar nada. E eu sucumbia-me de pavor de ser abandonada no dia da formatura.

Andava de um lado para outro, apreensiva, nervosa, que nem fazia conta com os elogios que recebia.

Era quase 1: 00 hora da madruga quando ele chegou e estava um pouco estranho. Sério. Senti medo. Mesmo assim, não pude deixar de notar como meu namorado estava lindo, usando uma roupa social, camisa cinza escuro e calça de alfaiataria preta.

Preciso ressaltar que quando ele chegou, eu já havia tomado todas e mais umas e já estava quase dobrando o cabo da boa esperança... E daí para frente a tendência era só piorar. E era cerveja que vinha de todos os lados. Geladíssima, não tinha como recusar, ainda mais num calorão de Dezembro.

Os amigos já haviam começado a chorar e a lamentar a separação e usavam cerveja pra afogar as magoas. E o povo continuava a beber. E a chorar. E a relembrar do dia que aquele melhor amigo tirou aquele outro de uma enrascada. E aquele que arrumou aquela namorada mais gata da cidade. E cerveja. E choro. E lembravam-se do dia que a gente colou na prova e o professor quase pegou. E da vez que o casalzinho escapou do “Veio” quando se agarravam atrás da sala na hora do almoço. E choro. E bebida. E lembranças. E abraços. E lágrimas.

Foi tanta cerveja e tanto choro que em alguns momentos eu acabei esquecendo o namorado, que ficou enfurecido e sem entender todo aquele afeto e carinho entre amigos que durante quatro anos viveram tantas histórias juntos. Ele não entendia que ali era o começo de uma nova história e o fim de uma historia inteira. Para nós era a coisa mais importante do mundo.

E eu sei que o meu namorado não era o único a não entender aquele momento, ali tinham muitas namoradas que da mesma forma que o Cleber não entendiam aquelas lágrimas, abraços, palavras sem sentidos, cerveja, tristeza e alegria. Tudo misturado.

Não tenho vergonha de assumir que escrevo essas linhas chorando, aos soluços mesmo. Ter que relembrar aqueles momentos ainda me causa muita emoção e acredito que cada um que estudou no Cera ao ler esse trecho também estará em lagrimas por que experimentou da emoção a qual me refiro.

E o meu namorado sem entender essa emoção, enfurecido e enciumado, aproximou-se gritando por causa do som alto:

─ Jane, vamos embora?

─ Não, meu amor, é cedo ainda!

─ Eu já estou indo. Fica ai com seus amigos. E não precisa vir atrás de mim que você já escolheu com quem quer ficar. Ficou a noite inteira se abraçando com um e com outro, tem mais é que ficar com eles.

─ São meus amigos! É a minha formatura! Não sei quando os verei novamente. Entenda-me. Só isso que estou lhe pedindo, é assim que você trata meus sentimentos?

E sem me responder, virou as costas e saiu.

Fiquei louca, desesperada, fui atrás dele. Mas sandália de saldo não é a melhor coisa pra se correr atrás do namorado quando eles terminam com a gente.

Eu não consegui alcançá-lo e em meio à multidão ele desapareceu...

E eu chorei ainda mais. E bebi ainda mais.

Depois de um tempo, não sei como ainda conseguia enxergar, mais eu o vi no meio das pessoas e fui até ele:

─ Você não tinha ido embora? Arrependeu-se e voltou porque quer ficar comigo, né?

─ Não! Voltei porque tenho convite...

Saiu de perto de mim e começou a dançar num grupinho.

Eu fiquei meio por perto, bebendo. E é até esse ponto da história que eu me lembro e ele também.

Não sabemos como e nem sob quais circunstancias chegamos a sua casa. Mas o fato é que acordamos um ao lado do outro no quarto dele, acordei com as pernas dormentes, pois adormeci com as pernas penduradas pra fora da cama e ele dormindo no chão ao lado da cama. Acordamos com uma dor de cabeça terrível. E rimos muito de tudo. Beijamos-nos como sinal de que tudo tinha sido apenas efeito da bebida.

E ainda tinha a continuação da formatura: churrasco no Clube do Laço.

Tomamos um banho e fomos correndo pra minha casa, onde estava minha família nos esperando. Meu pai com a mesma cara de poucos amigos nos olhou desaprovadamente.

Hoje eu o entendo, com certeza não era fácil pra ele aceitar toda aquela situação, sua menininha até pouco tempo, tornou-se uma mulher.

Fomos todos para o almoço no Clube do Laço de Aquidauana, no caminho meu pai não pronunciou uma única palavra. Por certo estava digerindo toda aquela história.

Ao chegarmos meus amigos já estavam todos reunidos. A música era boa, cerveja estava bem gelada, muita carne rolando nos espetos. Estava uma festa belíssima. Muitos convidados, gente bonita e animada. Porém a felicidade tinha certo sabor de nostalgia, de adeus.

E essa nostalgia que torna essa a parte muito difícil de ser contado, ter que reproduzir em minha mente esses momentos me causa novamente um turbilhão de sentimentos que até então estavam adormecidos no meu peito.

Eu deixei muita coisa por causa do Cleber. E aquele foi um momento em que eu deveria ter vivido exclusivamente para os amigos, para a despedida, para o adeus.

Não era somente a tristeza da despedida que me angustiava, era a certeza de que a minha grande história de amor poderia acabar no momento em que o carro sumisse pela estrada. E isso aumentava muita minha dor, minha tristeza.

E decididamente não soube lidar com meus sentimentos divididos e deixei de lado meus amigos, meu momento. Momento único que eu deveria ter aproveitado até o ultimo instante. No entanto, só agora tenho a maturidade de perceber isso. E naquele momento eu escolhi o amor, e todos devem concordar comigo: é uma escolha muito difícil, não é?